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Fique em casa se não puder ir

Na última semana foi aprovado na Câmara dos Vereadores de São Paulo o projeto de lei que estipula 23h15 como horário limite para o encerramento de jogos de futebol na cidade. Falta agora a sanção do prefeito Gilberto Kassab, que se der parecer favorável irá comprar briga com a Rede Globo, maior prejudicada com o projeto. Por essa singela razão acredito no veto do prefeito. Com a imagem já desgastada pelo caos provocado recentes enchentes, Kassab pode vê-la destruída  se a emissora resolver reagir. Nos próximos dias a questão será definida.

De qualquer forma, não entendo a preocupação com a sorte desse projeto de lei. Assim como em qualquer outro lugar no Brasil, a cidade de São Paulo tem tantos problemas infinitamente mais preocupantes para serem resolvidos. Trânsito, violência, enchentes. É impressionante como os políticos perdem tempo com questões menores. É estatístico. 98% dos projetos apresentados na Câmara de Vereadores tratam da alteração do nome de ruas e homenagens como a criação do Dia do Padeiro, votações que não mudam em nada a vida dos eleitores.

Um dos vereadores que defende a aprovação da lei, o Sr. Antonio Carlos Rodrigues, justificou que “é humanamente impossível alguém sair do estádio, no Morumbi ou no Pacaembu, à meia-noite e voltar para Parelheiros, Campo Limpo e Capão Redondo. O torcedor demora quase uma hora para sair do estádio e depois não tem mais condução“.

Ora, não compreendi a preocupação do vereador. Quem não puder ir ao estádio por causa do transporte, NÃO VÁ exclamação. É simples assim. Ninguém é obrigado a ir ao campo de futebol. Aliás, quem não for não e tiver a oporunidade de acompanhar pela televisão não estará perdendo nada. Muito pelo contrário. Os estádios não possuem o mínimo de conforto. A alimentação é horrível e cara. Comprar o ingresso é um martírio. A polícia trata o torcedor como um animal (embora alguns torcedores ajam como animais). Fora o risco de apanhar ou ser assaltado pela bandidagem que frequenta os jogos.

Na Rádio Transamérica ouvi uma entrevista do vereador Agnaldo Timóteo dizendo que está preocupado com as crianças e os idosos, que acabam saindo muito tarde das partidas que começam às 21h50. Ora Agnaldo, vocês vereadores deveriam se preocupar com os moradores do Jardim Pantanal, que ficaram mais de 2 meses morando debaixo da d’água. É muita cara de pau. E outra coisa. Por tudo que já foi falado, estádio não é lugar para velho e criança. O melhor mesmo é ficar em casa, vivo. Se o cantor/vereador está preocupado com os idosos e quer deixá-los felizes, crie então um projeto de lei visando a abertura dos bingos.

Enfim, a falta de transporte é só mais um dos problemas que o torcedor enfrenta. O próprio futebol tem outras prioridades. O combate à violência é uma delas, mas nada é feito. Esse famigerado projeto de lei é para inglês ver. Um péssimo tranpolim político.

A verdade é que, ao colocar os jogos às 21h50 para atender seus interesses, a Rede Globo sem querer acaba prestando um favor para a sociedade: faz com que pessoas de bem deixem de ir ao estádio enquanto os demais problemas não são enfrentados e resolvidos.

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E pelo Brasil…

O campeonato paulista é fraco. Mas, comparado aos demais regionais, poderia ser chamado de champions league tupiniquim.

Sinceramente, não sei que tipo de motivação tem um jogador para participar, por exemplo, do gaúchão, paranaense, mineiro. E o campeonato goiano? É o Goiás contra ele mesmo. Triste. Não é a toa que Fernandão vem fazendo de tudo para deixar a equipe. O duro é que a torcida do Goiás pensa que o time é grande. Aposto que todo torcedor esmeraldino torce para o Goiás e um time grande do eixo RJ/SP.

Poderia dizer que o gauchão não serve pra nada. Mas estaria enganado. Serve para reforçar São Paulo, Corínthians, Flamengo, Cruzeiro e todos os demais times que disputam a libertadores. D’Alessandro, o principal jogador do Inter, foi brutalmente agredido pelo zagueiro Ferreira do Juventude e pode ficar de fora da Libertadores. Parabéns gaúchos, futebol viril, campeonato de macho, orgulho das torcidas dos outros Estados.

O campeonato carioca merece existir. Faz parte do folclore. Olaria, Bangu, Duque de Caxias, Macaé, Madureira, Boa Vista, Tigres, meu Deus! A Ponte Preta seria séria canditada ao título. E os Estádios? Laranjeiras deve ser reconhecido em breve pela Unesco como patrimônio da humanidade. Lembra muito o Coliseu, hoje. Alguém irá bradar –  mas tem os 4 grandes, exclamação.  O Flamengo, atual campeão brasileiro (após 17 anos na fila, com a tradicional ajuda do STJD do rubro-negro Rodrigo Fux), é grande de torcida, embora ir ao estádio que é bom, nada. Poucas testemunhas estavam ontem no Maracanã. Vasco caminha para voltar a figurar entre os grandes do Brasil, mas o caminho é longo, ainda mais com Dinamite na presidência. Tenho esperanças. Agora, Botafogo e Fluminense deixaram de ser grandes na década de 70. Fusão ou extinção.

Não posso me olvidar de destacar a atuação da dupla Imperador/Love. O gol do Vágner Love lembrou-me a primeira vez que joguei Winning Eleven no PSII contra Jota Barros. De um lado, um experiente jogador, conhecedor dos atalhos. De outro, um adversário que perguntava que botão servia para chutar. Bons tempos.

Por Primo Argentino, craque no fifa10

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