A suspensão de um “crack”

O grande Superior Tribunal de Justiça Desportiva, alvo de várias críticas neste blog, cometeu mais um absurdo, quiçá o maior de todos. Em julgamento realizado na noite de anteontem, o STJD condenou o jogador Jobson, acusado de “doping” por uso de cocaína, por 2 anos de suspensão, decisão esta que felizmente ainda pode ser recorrida – e a meu ver submetida ao judiciário, por sua flagrante ilegalidade.

Um grande desserviço prestado pelo famigerado STJD.

Primeiro porque drogras como a cocaína não são verdadeiramente doping. Pelo contrário. Todos sabem (ou deveriam saber) que drogras dessa natureza provocam mais prejuízos do que benefícios ao desempenho físico, e só continuam proibidas no esporte por uma questão social. Não seria bom para uma criança flamenguista, por exemplo (é apenas um exemplo), saber que seu ídolo Adriano (repito, apenas um exemplo) é usuário de cocaína e mesmo assim não recebe nenhuma punição por isso.

Realmente as drogas entorpecentes são um problema social. E assim devem ser encaradas pelas autoridades do esporte, que devem tratar os usuários como “doentes”, não como criminosos.

Em segundo lugar – e mais importante – Jobson negou o uso de cocaína, mas confessou que fumou crack – talvez o primeiro caso na história do futebol; com certeza o caso mais emblemático -, droga ainda mais pesada do que a primeira. O jogador disse que:

Usei crack, mas não cocaína. Uso desde 2008, fiz até um exame antidoping em 2008 pelo Brasiliense e ele não apontou nada. Por isso, nem sabia que era doping.”

Grave. Muito grave. O crack é considerado por muitos como o último passo no mundo das drogas. O fundo do poço. O que significa que o jogador na verdade tem um grande problema. E sério. Provavelmente maior do que ele. Maior do que sua vontade, pois pelo tipo da droga, é provável que seja viciado. E muito provavelmente precisa de ajuda. De tratamento especializado. Precisa do “carinho” de todos.

Porém, alheio a tudo isso – e o motivo talvez seja a falta de experiência de vida de muitos de seus julgadores,  abastados filhos de ministros e desembargadores – o que fez o grande Superior Tribunal de Justiça Desportiva? Deu as costas para o problema “social” vivido pelo jogador, o que fatalmente agravará ainda mais a situação do ser humano Jobson e, pior, colocará em risco não apenas a sua carreira, mas principalmente a sua vida.

Ora, todos sabem (ou deveriam saber) que é nos momentos de dificuldade e de ócio que o viciado fica mais propenso a entrar de cabeça no mundo das drogas. E Jobson tem tudo para passar por isso, já que praticamente verá sua carreira de jogador de futebol ser jogada no lixo. É nisso que dá confiar o futuro do futebol brasileiro – e da vida de seres humanos – a pessoas totalmente despreparadas como os tais auditores do STJD. Só espero não ver Jobson numa cracolância da vida.

Na minha humilde opinião, Jobson deveria ser “apenas” repreendido. Deveria receber uma segunda chance. E ser orientado a se tratar urgente. Talvez isso acontesse se Jobson tivesse tranças rubro-negras. Mas para seu azar não tem.

Por fim, para quem não conhece o problema que é o crack, e mesmo para quem conhece, recomendo assistir ao vídeo abaixo. Matéria conduzida pelo excelente repórter Caco Barcelos:

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