O “interesse” público

O futebol é um meio muito atraente. Não só para quem vive diretamente dele, como jogadores, técnicos, preparadores físicos, médicos etc. Por vezes sob o pretexto de ajudar a melhorar o futebol, muitas outras pessoas estranhas ao espetáculo tentam se promover por meio dele. É o caso, por exemplo, dos dirigentes que defendem ferrenhamente seus clubes e, com a conquista de prestígio perante os torcedores, candidatam-se a cargos públicos. Eurico Miranda. Marco Aurélio Cunha. Pessoas que se valem de funções de interesse público para defender apenas os interesses dos clubes de coração. Azar do cidadão comum, que não ganha nada com a eleição dessas pessoas. Muito pelo contrário.

Outro exemplo que vem se mostrando cada vez mais recorrente, principalmente no Estado de São Paulo, é o dos promotores de justiça. “Contratados” para defender o interesse público, alguns deles claramente se utilizam do futebol para promoção pessoal. E aproveitam para tentar mostrar que estão fazendo algo de útil para a população.

Tudo começou com Fernando Capez na década de 90. Apresentou-se ao público com a promessa de que iria resolver o problema da violência nos estádios paulistas. Apareceu tanto na televisão que diziam que quando ele abria a geladeira de casa e via a luz se acendendo já começava a dar entrevista. Sua principal atitude foi extinguir 2 torcidas organizadas – e só não extinguiu uma 3ª pois ela representava seu time de coração, do qual, aliás, é conselheiro vitalício. Pensou que com isso resolveria todos os problemas. Ledo engano. A violência só cresceu no período em que ele esteve à frente do combate à violência. E cresceu muito. Diria que foi o pior momento. Mesmo assim, escreveu livros, deu aulas e, por fim, elegeu-se deputado estadual. Saiu de sua função como um herói, quando na verdade – e só quem sabe a verdade é quem frequenta os estádios – foi um fiasco.

Com a saída de Fernando Capez, outro promotor de justiça assumiu a função de combater a violência nos estádios: Paulo Castilho, personagem constante dos programas esportivos. Suas medidas foram tão ineficazes quanto as adotadas por Fernando Capez. A última delas foi a criação de um projeto de lei específico para crimes ligados ao esporte, o qual está em votação no congresso. Segundo ele, o problema da violência nos estádios é que não existe uma lei para punir os torcedores. Com todo respeito, ou o promotor desconhece a legislação, o que seria muito preocupante, ou quer se promover como criador de uma lei, a “Lei Paulo Castilho”, uma bela propaganda para uma candidatura.

Você, leitor, já ouviu falar em Código Penal? Pois é. Leia os artigos 121 (homicídio), 129 (lesão corporal), 286 (incitar violência) e 288 (quadrilha ou bando). Ora, à toda evidência esses dispositivos legais bastam para fundamentar a prisão em flagrante de torcedores que cometem atos criminosos. Esse assunto, aliás, já foi abordado aqui no blog (clique aqui).  O que faltam são atitudes. Não leis.

E nesta semana outro promotor de justiça resolveu aparecer no cenário do futebol. Roberto Senise. Partiu dele o “veto” de alguns dos estádios do campeonato paulista, como se fosse novo o fato dos estádios brasileiros não terem condições de receber os torcedores. E, só para variar, nessa semana Roberto Senise já apareceu em muitos programas esportivos. Só espero que ele não tenha pretensões políticas ou não queira aumentar a venda dos muitos livros que escreve, pois o assunto é muito sério. Estamos de olho.

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8 Comentários

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8 Respostas para “O “interesse” público

  1. Carlos André

    O torcedor organizado gosta desses caras. Vira e mexe tão em reunião. Eles que elegeram esse cara. Eu, que odeio essa raça, nunca fui chamado para reunião nenhuma.

  2. japones de atibaia

    vergonha esses caras não acabarem com a gaviões….teve até atentado contra onibus….e no rio, que ninguém faz nada…zeca, vai pro inferno

  3. Maranhão

    Já tive aula com esse Fernando Capez. O cara se achava o tal. E a aula dele era bem ruinzinha. Ele só queria aparecer. Direto faltava para comparecer aos seus “compromissos”. E falava para todos os cantos que resolveu a violência nos estádios.

  4. Luiz Antônio

    Esse Fernando Capez é mais um salaf…rio que surgiu para se aproveitar dos trouxas dos torcedores e da imprensa. E pra piorar, é cúrintino!

  5. Luiz Antônio

    XÔ, Capez e……
    Xô, love, Xô, Love….
    O cara ganhou uma série B, um campeonato russo, uma Uefa, ninguém o quis na Europa, quase foi para os gam.bás, na seleção não jogou nada, voltou para o Palmeiras, –perdeu– um pênalti contra o Flamengo (seu time do coração) e agora saiu pelas portas dos fundos direto para os encantos do Rio e fazendo juras de amor ao Mengo…. Por isso, eu digo: XÔ, Love!!!!! Nunca mais passe nem perto do Palestra!

  6. Rodolfo

    Este Fernando Capez jah teve aqui na minha cidade, e no anúncio da palestra dele o organizador disse que era o cara ‘que tinha acabado com a violência nos estádios de São Paulo’.

  7. Alexandre

    Falando em promotor, o promotor/sociotorcedor/conselheirotricolor Paulo Castilho escreveu um artigo que foi entregue nas cadeiras cativas e visa no jogo de estreia do Palmeiras, se vc não vomitou hoje dê uma lida nisso….

    CHEGA DE VIOLÊNCIA
    *Paulo Castilho

    Há quatro anos acompanho o futebol de perto, por conta de minhas atribuições como promotor público. Tenho apreço pela torcida palmeirense, que costuma fazer do evento esportivo uma festa inigualável no Palestra Itália.

    Fico profundamente decepcionado com a postura da torcida organizada. Muitos de seus integrantes são pessoas do bem, querem fazer as coisas certas e defendem a paz. Entretanto, uma minoria vem causando problemas.

    Infelizmente, todos os atos de violência e vandalismo em 2009 tiveram as participações de membros de organizadas em geral. Tenho tentado numa política pública/privada orientá-los e, com isso, diminuir a violência.

    Alerto que o cerco em torno das organizadas está se fechando, e que o verdadeiro malandro hoje é aquele que faz tudo certo. Não adianta se fazer de vítima, o mundo do futebol está atento contra os que prejudicam o espetáculo.

    Se você pertence a Mancha ou a TUP, trate de se acertar. Se é torcedor comum, faça a sua parte, tenha um comportamento dentro da desportividade. Seja educado e denuncie quem promove a desordem ou coloca a sua vida e a do clube em risco.

    Os torcedores não devem interferir na administração do clube, que por sua vez não deve ter relação promíscua com a torcida. Isso dificulta o trabalho de pacificação no futebol.

    Dirigentes e jogadores, sejam profissionais, não incitem a violência por meio de gestos ou declarações polêmicas. Para fazer de um jogo um entretenimento de fato, no qual a paixão é declarada sem desrespeito ao direito dos outros, todos precisam colaborar.
    Conseguiram chegar no final?

    Poís é, para um bom entendedor meia virgula basta.
    Ficou claro que, vai cair de pau(novamente) na torcida do Palmeiras seja organizado ou não.
    Agora Sr. Promotor eu sei quem colocou minha vida em risco na final do Paulista, foi a “puliça”….

    Alexandre. Obrigado pela contribuição. Quanto ao manifesto do promotor, o resumo é o seguinte: todos devem fazer sua parte para que ele não tenha que trabalhar e, mesmo assim, sair como o herói da história.

  8. Pingback: Briguinha de nada « Blog dos Avallone

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