Hora de agir, não de falar

Premissas do post: (i) só opina quem frequenta (ou frequentou) arquibancada; (ii) já existe lei que pune brigas em estádio, tanto na esfera criminal quanto civil.

Tema sério, muito sério.

Você, leitor, já ouviu falar em Código Penal? Questiono pois tem jornalista, promotor de justiça, policial militar, que ainda não foi apresentado. Vá ao google e escreva “Código Penal”. Agore procure os artigos 121 (homicídio), 129 (lesão corporal), 286 (incitar violência) e 288 (quadrilha ou bando). Esses dispositivos legais bastam para fundamentar a prisão em flagrante de todos que invadiram o Couto Pereira no domingo.

E se a invasão for “pacífica”, isto é, um mero protesto, sem nenhuma agressão ou tentativa, como um infeliz fez no jogo São Paulo x Inter. Gerou prejuízo ao clube? Indenização. Quer mais? Torcedor que invade campo pode ser proibido de frequentar estádios. Sim, está no Estatuto do Torcedor, art. 39. Invadiu, cadastre-o.

Não é ficção. Para a lei ser eficaz, ideias são necessárias. Faltam atitudes, não textos de lei.

Por que não se numera lugares em estádios. Todos os lugares. E de verdade, como os setores Visa de Parque Antártica e Morumbi. Quem desrespeita, é expulso do estádio. Não volta mais, pronto. Ah, mas o torcedor dará outro nome. Sem problemas, muitos se sentirão constrangidos. O percentual de animais diminuirá. Outras ideias surgirão.

Por que não se vende ingressos pela internet. Venda por cartão de crédito ou paypal facilita identificação. Muitos torcedores mal intencionados também se sentiriam desestimulados. Não tem cartão, não tem acesso à internet, fique em casa. Que eu saiba não existe lei que exija cota de mendigo em estádio.

A polícia também tem que entender que torcedor que briga deve ser preso, e não espancado. Uma vez um coronel em SP, que não me lembro o nome, chegou a dizer numa entrevista à Gazeta que a PM tem a função de prevenir e não de prender. Uma imbecilidade. Essa foi a desculpa para não prender. Em verdade, não querem trabalho. BO, delegacia, domingo, muito trabalho. Preferem bater a prender. Por isso que torcedores, quando têm oportunidade, não hesitam em agredir policiais. Não quero justificar, mas o sentimento de vingança é que insufla torcedores a atacar policiais.

Algo tem que ser feito. Que seja rigoroso, diferente, eficaz. Mexa no bolso, coloque nomes e fotos na internet, proíba a entrada, facilite venda por sites, ajam. Isso demanda criatividade, dedicação, não entrevistas.

Toda vez que uma confusão ocorre, lá está o Dr. Paulo Castilho, promotor de justiça de São Paulo, falando em jornais esportivos. Ele substitui Fernando Capez, que suspendeu a carreira para assumir o cargo de Deputado Estadual. Foi eleito por torcedores de futebol, pois duvido que alguém mais o conhecesse. Capez foi um marco na história de violência no futebol: antes dele o torcedor era violento; depois, além de violento, virou terrorista, cambista, traficante. Capez, quem não se lembra, foi o promotor que se vangloriou de extinguir o cnpj da Mancha Verde. Parabéns, foi refundada com o nome Mancha Alvi Verde. Contra a Gaviões, nem isso. Fez um vergonhoso acordo (ele é corinthiano). No jogo contra o River percebi os efeitos do acordo. Parabéns Capez. Belo cargo.

Voltando ao Dr. Castilho, o que ele fez até agora? Redigiu um projeto de lei? Meu Deus, exclamação. Acha mesmo que um papel vai mudar alguma coisa? É assim que evitará a violência no estádio? Tenha dignidade, desista disso. Combater violência em estádio não se aprende nos livros.

Tem que ter criatividade. Os clubes não são obrigados a fornecer segurança? Force-os, mova uma ação civil pública. Provoque-os. Se vira.

Por Primo Argentino, desabafo

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9 Comentários

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9 Respostas para “Hora de agir, não de falar

  1. joão

    no rio não tem setor visa.

    mas, alguem lembra de alguma confusão esse ano lá ?

    que eu me lembre rolou um coisa dessa no morumbi esse ano… e olha que nem bandeira vocês podem levar…

    eu só lembro de festa. que alias, a torcida do fluminense , flamengo e vasco ( botafogo deixou a desejar) ensinem alguma coisa pra esse bando de mulambada.

    João

    Você tem televisão em casa (não vale a Rede Globo)? Ou assina algum jornal?

  2. RedBlack

    Os trocedores de SP devem ir no Rio para aprender a torcer, os policiais de SP devem aprender a policiar, os dirigentes devem aprender a dirigir, os cronistas devem aprender com o pessoal do Rio a cronicar, e por aí vai. Além de ser melhor, o futebol do Rio é civilizado, bem diferente do futebol de SP. Inclui tudo, principalmente a imprensa caipira.

    Redblack

    Por favor, sem comparações impertinentes entre SP e RJ. Somos todos brasileiros. Uns melhores, outros piores.

    • sergio lima

      Vc e’ mesmo um bobo da corte, redblack. E eu que te achava ate serio no blog do Birner. Vc e’ daqueles que veem seu clube sendo destruido por dirigentes incompetentes, ve milhares de safados entrando de graca no estadio enquanto vc tem que se ralar para conseguir um ingressinho qualquer, sendo, muitas vezes pego no esquema do ingesso falso e ficando de fora mesmo tendo pago, mas mesmo assim gosta de se enganar. Nunca fez uma auto-critica e acha fantastico o seu time falido ganhar campeonatos. Nao importando como. Eu tenho vergonha do titulo do meu time em 2005, e muita. Voce se ama como torcedor mas nao tem o menor respeito pelo cidadao que voce e’ em primeiro lugar. Gosto de voce, mas tenho pena de todos que agem e pensam como voce. Mas tudo bem…Eeeooo Flamengooooo. Brasil sil sil

      • RedBlack

        Você não percebe a diferença como é encarado o futebol no Rio e em SP? Aqui é lazer e divertimento. Em SP é guerra e ódio. E a imprensa caipira incentiva o clima. Eunão consegui ingresso para a final, mas cambista e empurra-empurra existe em jogos lotados. Só que no grande estádio do Flamengo é em proporção muito menor, praticamente não houve qualquer problema durante todo o campeonato. As torcidas do Rio têm um pacto de civilização, junto com a polícia e governos. ë uma delícia ir nos estádios no Rio. Vem para cá ver a Libertadores!

        Redblack

        Realmente o Rio de Janeiro é um exemplo de organização e pacifismo.

    • Não foi o que eu vi na festa de comemoração domingo. Estados iguais, violentos, infelizmente.

  3. sergio lima

    Avallone, voce esta certissimo em seus argumentos. So esquece um detalhe. Se numerarem todos os assentos, como vao fazer pra colocar todas as organizadas em bloco juntinhas? Nao pode, Avallone, afinal de contas, em primeiro lugar estao as “organizadas”, so depois e que vem o povinho. VERGONHA!!!!! Os que compram camisas do time e nao destas entidades bandidas que nem royalties pagam ao clube.

    Sérgio Lima

    Realmente é uma vergonha prestigiar as organizadas em detrimento dos comuns.

  4. Zhu Sha Zang

    Sr Avallone é a favor da elitização do futebol?

    att.

  5. RedBlack

    Assunto da imprensa esportiva carioca: futebol, Pet, campeonato, Adriano, herói Angelim, Libertadores, chocolate, etc.

    Assunto da imprensa esportiva paulista: dirigentes, violência, stjd, promotor, superbowl, etc.

  6. Pingback: Briguinha de nada « Blog dos Avallone

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