O decisivo Paulo Schimitt

Em todo final de campeonato um jogador resolve decidir, nem que seja com um gol “apenas”. Os exemplos são muitos. Basílio na final histórica do campeonato paulista de 1977 e Viola na final do campeonato paulista de 1988, ambos pelo Corinthians. Ailton, pelo Grêmio, na final do campeonato brasileiro de 1996. Adriano Gabiru, o renegado, pelo Internacional na final do campeonato mundial de 2006. Enfim, a lista é grande.

No campeonato brasileiro, porém, essa regra vem mudando. Nos últimos anos os jogadores vem perdendo destaque na reta final para figuras absolutamente estranhas dos campos de futebol: os membros do tal Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Como bem comparou Zini (Zero Hora) certa vez, o STJD é um urso. Hiberna em dois terços do ano e  acorda no final, com vontade de defecar.

Até alguns anos atrás os torcedores de alguns clubes sofriam com a interferência de Luiz Zveiter, ex-presidente do STJD (que só saiu do cargo por decisão do Conselho Nacional de Justiça, pois do contrário estaria até hoje exercendo aquela função). Sua especialidade era aparecer nas últimas rodadas do campeonato brasileiro. Era figurinha carimbada nas mesas redondas de final de noite de domingo. Uma verdadeira estrela.

Suas decisões, na grande maioria, eram esdrúxulas. Não acompanho sua atuação no TJ/RJ, mas se for comparável aos seus tempos de STJD a justiça carioca está em péssimas mãos. A pior de todas as suas decisões foi a anulação de 11 jogos do Brasileirão em 2005 por conta do escândalo da arbitragem ocorrido naquele ano. Num primeiro momento Zveiter descartou totalmente anular os jogos, decisão que se mostrava a mais correta. Porém, dois dias depois ele misteriosamente mudou de opinião e resolveu anular algumas das partidas. O campeonato acabou sendo decidido no tapetão e até hoje os colorados gaúchos lamentam a perda do título para o Corinthians (até Dualib reconheceu a “ajudinha” dada pelo STJD) .

Graças a Deus Luiz Zveiter saiu. O problema é que fez escola e após a sua saída a situação não melhorou em nada.

A estrela da vez é Paulo Marcos Schmitt, procurador do STJD. Sua especialidade é interferir nas decisões disciplinares dos árbitros, uma aberração jurídica como já mostrou o Primo Argentino aqui neste blog. Mas o que chama atenção é a abrangência de sua atuação. Como disse linhas atrás, Paulo Schimitt é um urso. Hiberna em grande parte do campeonato e só resolve trabalhar nas 5 últimas rodadas. Não tem o mínimo de comprometimento.

Reparem. A primeira vez que requisitou uma fita (sim, pois ele não se dá ao luxo nem de gravar os jogos) esse ano foi nesta semana, após o jogo entre Palmeiras e Corinthians. Quer analisar o carrinho dado por Danilo no cai-cai Jorge Henrique. Justo ou injustamente, o jogador levou cartão amarelo, decisão soberana do árbitro. Um lance para ser esquecido. Mas para Paulo Schimitt não foi suficiente, com se fosse dado a ele interferir na decisão do juiz. Pelos precedentes de Paulo Schimitt, não descarto a possibilidade de Danilo ser denunciado por lesão corporal grave ou tentativa de homicídio e sair algemado do STJD.

Pitadinha histórica. Li certa vez que quando Saddam Hussein foi condenado ele tinha duas opções: enforcamento ou um novo julgamento com base nas acusações de Paulo Schmitt. Ele preferiu a primeira opção. Danilo que tome cuidado.

E além de só trabalhar nas rodadas finais do campeonato brasileiro, a autuação de Paulo Schimitt tem outra característica. Só pede as fitas de lances cometidos por jogadores de clubes que estão na ponta de cima da tabela e de jogos transmitidos nas grandes redes de televisão. Nunca vi ele pedir a fita de um lance de um jogo entre Sport e Avaí, ou Atlético Paranaense e Vitória. Ou será que o primeiro lance violento no campeonato brasileiro foi de Danilo na 33ª rodada. Não é crível. Absolutamente.

Corroborando isso o Lance levantou alguns fatos parecidos com o de Danilo e que não tiveram a fita requisitada pelo urso Paulo Schimitt:

Santos 3 x 1 Corinthians

31/5 – Árbitro: Leandro Vuaden

Na lateral, Jean levanta Madson com um chute na perna. Levou amarelo.

Atlético-PR 2 x 2 Palmeiras

20/6 – Ábitro: Alício Pena Júnior

Na corrida, Márcio Azevedo dá carrinho violento em Danilo no meio-de-campo. Não levou cartão.

Palmeiras 1 x 1 Santos

28/6 – Árbitro: Leonardo Gaciba

Com carrinho por trás, Róbson levanta Pierre: cartão amarelo.

São Paulo 2 x 0 Avaí

12/9 – Árbitro: Leandro Vuaden

Em disputa na linha de fundo, Dagoberto levanta a perna e acerta Emerson. Falta não foi marcada.

Flamengo 2 x 1 São Paulo

10/10 – Árbitro: Wilton Sampaio

Com carrinho frontal, com os dois pés, Richarlyson levanta Toró e recebe cartão amarelo no Maracanã.

Enfim, por tudo isso se conclui que a atuação de Paulo Schimitt é de um verdadeiro amadorismo. Não há comprometimento, regularidade e imparcialidade na sua atuação. O trocadilho pode ser ruim, mas é verdadeiro: o procurador só procura o que fazer no final do ano. E quando atua presta um desserviço para o campeonato, como no caso de Danilo.

E por essas e outras que a meu ver os clubes precisam se unir e exigir das pessoas que atuam no STJD profissionalismo e, principalmente, discrição. Não se pode deixar que pessoas como o medíocre Paulo Schimitt tenha um poder de decisão no campeonato maior do que o de Ronaldo, Adriano e São Marcos, por exemplo.

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2 Comentários

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2 Respostas para “O decisivo Paulo Schimitt

  1. Além de ser torcedor declarado do CAP, time que sequer denunciou por ter jogado uma bomba no seu próprio goleiro.

  2. rui

    Avalone gostaria que alguém do esixo poder do futebol brasileiro(RIO – SAO PAULO) se possicionasse a respeito desta vergonha que o Sr paulo schimitt senvergonha está impondo ao coritiba, e da sua omissão quanto ao caso do jobson jogador cheirador de pó do botafogo, vcs a midia nacional são uma vergenha ficam caladinhos e não fazem nada e vc seu avalone o seu palmeiras também foi prejudicado vai ficar quietonho ou vai provar que é macho?

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